Reflexão natalina
JESUS, CAMINHO SEGURO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
O Natal deve recordar aos cristãos aspectos fundamentais da missão de Jesus. Ele é a via segura para se chegar à salvação eterna. Uma das expressões basilares proferidas pelo Redentor foi esta: “Eu sou o caminho! (Jo 14,6) A única vereda que conduz ao Criador à espera de cada ser racional no reino eterno. Ele é o liame vivo que une, uma às outras, as ovelhas de um rebanho do qual é o pastor supremo. Aliás, Ele foi claro: “Ninguém vai ao Pai senão por mim... Se vós me conhecêsseis, conheceríeis o Pai. Eis Porque ele legou exemplos e compendiou uma doutrina com referenciais seguros na trajetória que tem seu momento decisivo na passagem do tempo à eternidade. O viandante corre, diuturnamente, riscos: pode extraviar-se e até precipitar-se em abismos. Assim, Ele quis dar segurança aos que almejam chegar à meta gloriosa de uma ventura perene. Entretanto, para se percorrer esta estrada real, há condições preliminares indispensáveis. Uma delas é o renunciamento ao amor próprio, ao egoísmo, raiz de tantos distúrbios íntimos e causa de todo tipo de litígios e agressões. Ele foi taxativo: “Quem não renuncia a tudo que possui, não pode ser meu discípulo...” (Lc 14,33),.Trata-se de uma opção consciente entre o secundário e o passageiro, exigidos equivocadamente pelos interesses pessoais, e o essencial, o durável, que transcendem o que é material. Não se requer o abandono das tarefas terrenas o das alegrias lícitas propiciadas pela vida. Isto seria alienação. É necessário, ao contrário, degustar a existência, as belezas criadas, e assumir o dever de cada dia, monótono ou martirizante. Este é o cadinho no qual se apuram as energias interiores para que a jornada não seja interrompida. É o crisol que leva à identificação com o Modelo divino. Paul Coulet falou no “trágico sério da vida cristã”4 e foi feliz nesta condensação de idéias. É mister “tomar a fé que se professa e estar atento ao modo de agir em todos os seus detalhes”,5 como diria Romano Guardini. Não é fácil ser um seguidor autêntico de Jesus de Nazaré. A coerência exige seriedade e esta supõe a disposição hercúlea de se enfrentar a tragicidade de situações nas quais é preciso vencer o comodismo, custe o que custar, e não se apegar aos prazeres ilusórios. É certo que Ele está junto. É a fortaleza. A questão é a adesão, a sinceridade, a coragem. Capitular é menos custoso. Tergiversar é quase sempre a postura que pode conduzir ao fracasso. Este não é obstáculo decisivo. O problema seria não se levantar e retomar a caminhada. O perigo constituir-se-ia no desânimo ou na covardia crônica. Contudo, não se marcha só. No programa cristológico o rebanho deve seguir unido. Ele está atento e ama cada uma de suas ovelhas. Estas, por outra, se incorporam ao sábio condutor, que é coincidentemente, a própria rota a ser trilhada. Por estarem todos ligados a Ele, a nacionalidade não conta, a categoria social desaparece. O fim é comum, a travessia idêntica, o mestre o mesmo. Uns ajudam os outros, vivendo o mistério do Corpo místico do Redentor. O desvio, seja de quem for, afeta os demais. Não há prescindíveis. Todos são importantes na obra coletiva. Aí o drama da história humana. Os complicadores que fluem da má conduta afetam e prejudicam o grande grupo. O não, dito a Cristo, coincide, na vida do cristão com desordens que destroem o equilíbrio e fazem o meio ambiente tenso e moralmente asfixiante. Donde ser fatal a ausência do amor, única força que promove o sacrifício pelos outros e faz alguém ser bom, por causa dos companheiros de viagem. Não menos grave a desconfiança n’Aquele que é o chefe e que se interessa pessoalmente pelo sucesso dos que lhe pertencem pelo batismo. Adite-se o individualismo esterilizador que é empecilho num caminhar que supõe a dileção mútua como suporte ao irmão carente do apoio nos lances mais críticos. Feliz, porém, quem aceita o Enviado de Javé e anda por esta senda, colocando os seus passos nas marcas deixadas pelos pés do Salvador!. * Professor no Seminário de Mariana - MG

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