Planejar 2007
PLANEJAR 2007
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Está na moda falar em gerenciamento do tempo. O início de um novo ano se presta a uma reflexão sobre o tema. Cumpre, de fato, uma renovada estruturação ativa da vida, uma busca por mais qualidade e alegria do viver. Devida a aceleração da História, se impõe uma nova cultura do tempo. Quem bem analisar o que se passou em 2006 verá que é preciso a adoção de outros modelos mentais para melhorar ainda mais a técnica de trabalho, a busca do triunfo num modelo de vida que se compactue com uma existência da qual esteja longe todo e qualquer stress nocivo. Este, segundo os médicos, é um conjunto de reações do organismo a agressões de ordem física, psíquica, infecciosa, e outras, capazes de perturbar-lhe a homeostase, ou seja, a tendência à estabilidade do meio interno do organismo. Para que se evitem expectativas impraticáveis, frustrantes, e a ansiedade deletéria é mister balizar o planejamento não em função do ter, mas do ser e do viver. É necessário que se tenha consciência de que é cada um quem faz a diferença, tornando o ambiente no qual age mais cordial e agradável. Nunca, como em nossos dias, é tão necessário mentalizar esta verdade compendiada neste ditado: “Não é o lugar que faz o homem, mas este, sim, quem faz o lugar”. Muitos pensam que é mudando de emprego ou indo para outras plagas que conseguirá evitar os problemas. Cada ser humano os leva consigo seja para onde for, uma vez que a fonte das preocupações e dos desares está lá dentro do coração que não pode naufragar em emoções doentias. O relacionamento com o próximo e com o próprio labor cotidiano depende da mundividência própria. È necessário modificar paradigmas que imobilizam rumo a um progresso contínuo. Para isto a auto-avaliação é de suma importância. Transformar-se para deparar a ventura. De plano eliminar todos os sentimentos de mágoa, ressentimento, desgosto, inveja que ocasionam os maiores transtornos. O atual contexto é caracterizado pela cultura da velocidade. Há precisão de cadenciar o pensamento, a ação e o objetivo em mira. Para isto é mister afastar tudo que se embute no cotidiano e que trava o bom resultado que se quer obter, moderando o ritmo alucinante da vida com aquela dose de equilíbrio que leva ao bem-estar. Há sempre alternativas viáveis que ficam por vezes obliteradas. Existem possibilidades novas para cada um ser mais produtivo e criativo em tudo que faz. O segredo é ser movido por impulsos que venham lá do interior e não por impulsões exteriores. Então fica mais fácil abrir as janelas do tempo e permitir lampejos inovadores que significam planos alternativos para se chegar a um determinado fim sem maior pressão exercida pelo tempo. Não se pode ser joguete das circunstâncias e ser vítima da horripila depressão, da extenuante fadiga, da amargura profunda, do molesto desânimo. Nada de sabotar a si mesmo! Nada, outrossim, de querer enquadrar os outros nos moldes mentais pessoais. O respeito ao perfil caracterológico do outro é de capital valor para o relacionamento mútuo. Entretanto, não basta protocolar compromissos e, até, priorizá-los para o Ano Novo, mas o principal será cumpri-los, pois do contrário haverá inevitável frustração. Nada de deixar as energias no porão. Acrescente-se que é preciso imitar o Papa João XXIII que sabia muito bem simplificar as tarefas complicadas e nunca complicava os afazeres simples. Um outro detalhe é se ater ao que ensinou o Dr. Lothar J. Seiwert o qual propõe a mudança do slogan “tempo é dinheiro” para “ tempo é vida” e por isto “se alguém tiver pressa, procure andar mais devagar”! Aí, sim, curtirá a vida. Mudança de uma visão quantitativa para uma mundividência qualitativa. Seja qual for a etapa da vida, cumpre sempre almejar o crescimento espiritual e sapiencial numa trajetória de sucesso em vistas à eficácia. O importante é não deixar que as coisas simplesmente aconteçam no Novo Ano, mas com automotivação viver plenamente cada um dos 365 dias. * Professor no Seminário de Mariana – MG-

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