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Tuesday, December 12, 2006

A Igreja e os dinossauros

A IGREJA E OS DINOSSAUROS
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Em primeiro lugar cumpre se diga que a Igreja nunca se posicionou contra a existência dos dinossauros. Lemos no Gênesis que Deus “criou os grandes cetáceos e todos os animais vivos rastejantes, dos quais fervilharam as águas, segundo a sua espécie, e todas as aves aladas, segundo a sua espécie” (Gên 1,21). O Ser Supremo também determinou: “Produza a terra animais vivos segundo a sua espécie, animais e répteis e feras terrestres, segundo a sua espécie”(Gên 1, 24). O Livro Sagrado não desce a detalhes, pois a Bíblia não é um tratado de paleontologia. Os dinossauros, de acordo com os cientistas, pertencem a um grupo de reptis arcossauros, diápsidos, próximos dos crocodilos atuais. Apareceram inicialmente no período triássico, foram os animais predominantes no tempo jurássico e deixaram de existir no final do período cretáceo. Dominaram terras, águas e mesmo os ares, como os pterossauros, e dividiam-se, fundamentalmente, em dois grandes grupos: saurísquios, com quadril de lagarto, e ornitísquios, com quadril de ave. O que pode estar embutido na questão em tela é o problema dos que defendem a tese dita do criacionismo, contrária ao posicionamento que admite a evolução. Para muitos criacionistas radicais todos os animais criados por Deus estariam vivos ou nunca existiram e, assim sendo, não houve dinossauros para eles. Quanto ao evolucionismo há que se ter em conta o que é afirmado pelo douto Santo Agostinho que fala nas Rationes seminales, ou seja, nas forças germinativas no seio da matéria. Não se trata de um evolucionismo que faz nascer as espécies do acaso evolutivo com alteração ou transformação das espécies, mas sim força evolutiva na natureza mesma, essencial, das espécies, conforme estabelecido por Deus, o Criador de tudo.. A doutrina das RATIONES SEMINALES nada têm a ver com o evolucionismo moderno, dado que Agostinho admitia a imutabilidade das espécies. Além disto, seria um absurdo filosófico e uma heresia admitir-se que a vida brota por geração espontânea do seio da matéria mineral. Os fenômenos vitais, além das energias físico-químicas da matéria bruta, exigem um princípio mais elevado que as coordene na sua atividade e preserve a unidade específica do organismo. Erro mais grave ainda seria derivar as formas superiores da vida consciente do ser racional das energias vitais inferiores. A vida intelectual e moral não podem jamais ser a derradeira fase de um processo evolutivo de seres corpóreos. Portanto, cumpre sempre se admitir que a evolução foi conduzida por Deus, que a vida não vem por evolução da matéria e que o homem é essencialmente diferente dos outros animais. Nunca se recorda demais a sábia doutrina do papa Pio XII na encíclica Humani generis, na qual mostra que o magistério da Igreja não tem nada em contrário à doutrina do evolucionismo, enquanto ele indaga acerca da origem do corpo humano derivante de uma matéria preexistente e viva e não obsta que isto seja objeto de investigação e discussão da parte dos peritos. É de se notar, porém, que o evolucionismo é apenas uma hipótese, uma probabilidade, não uma certeza científica. É possível que o corpo humano, de acordo com uma ordem estabelecida por Deus nas energias da vida, tenha sido gradualmente preparado nas formas de seres vivos que o precederam. A alma humana, entretanto, sendo espiritual, não pode derivar da matéria. Observe-se que a teoria geral da evolução adotou as formas denominadas darwinismo e lamarckismo. É inegável o influxo da seleção na formação das espécies hoje existentes, mas ela não explica as profundas diferenças entre as diversas ordens de seres vivos, bem como a evolução específica superior. Os organismos primitivos não são mais incapazes de viver que os superiores. Segundo Lamarck, as formas estruturais e funcionais do ser vivo originaram-se pela adaptação ativa às diversas condições de vida. Estes caracteres pouco a pouco adquiridos ter-se-iam fixado definitivamente por hereditariedade. Entretanto a paleontologia nos descobre só tipos já determinadamente constituídos sem as inumeráveis formas intermediárias teoricamente necessárias (o que vale também contra o darwinismo) e de que até hoje a transmissão hereditária de caracteres adquiridos, positivos, não foi ainda demonstrada. * Professor no Seminário de Mariana - MG

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