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Tuesday, December 12, 2006

As glórias de Vicente de Paulo

AS GLÓRIAS DE VICENTE DE PAULO
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Há um preceito bíblico acerca dos grandes personagens da História:“Celebrem os povos a sua sabedoria e publiquem os seus louvores nas assembléias”. (Ecl 40, 15). É por isto que onde pulsa um coração católico recebe Vicente de Paulo o hino do louvor mais intenso, o perfumado incenso da gratidão mais sincera, as fervorosas manifestações das honrarias mais entusiásticas. Festejado jubilosamente é sempre oportuno proclamar as maravilhas da graça divina na existência daquele sob cujo mármore sepulcral flamejam séculos de exaltação e honras. A glória refulgentíssima que foi sua venturosa partilha, seu ditoso quinhão, sua luminosíssima recompensa na Pátria celeste lhe resultou da graça santificante a lhe divinizar a vida. Ele soube viver este tesouro sublime. Daí, espetáculo palpitante, prova concreta da transfiguração do homem por Deus e atestado incontestável de que o segredo inefável da plenificação natural do ser humano se encontra, essencial e radicalmente, na adesão a esta realidade espiritual. Vínculo unificador a Cristo, a graça, comunicando à alma uma nova natureza, tornando-a deiforme, fatalmente, na participação real da vida divina (2 Pd, 1, 4). com seu fúlgido cortejo de dons e virtudes infusas, deve, na grandiosidade de suas infinitas possibilidades, projetar o homem às conquistas imortalizadoras nas veredas de toda perfeição moral, nas sendas de todas as virtudes e hábitos dignificantes. Ascensão de cada dia, sempre mais fácil e rápida, até à consumação na posse inamissível e perene da divindade isto é, até à glória. Tal o influxo esplendoroso da graça correspondida que vislumbramos naquele que se fascinou pela vida divina, pois, quando, aos trinta e cinco anos de idade, toma contato com esta riqueza interior e espiritual, nela mergulhou seus inigualáveis dotes humanos. Soube demonstrar, admiravelmente, que a renúncia do homem a si mesmo no tempo é a condição para melhor ele se encontrar no dia em que as colinas eternas se descortinarem nos horizontes de seu destino pessoal. Pôde confirmar, peremptoriamente, que só na simbiose perfeita da vida sobrenatural e natural pode o ser racional adejar às eminências culminantíssimas da plena satisfação de suas aspirações, do desabrochar magnífico das finalidades, das forças, da vitalidade humana. Demonstrou assim que, quando matéria e espírito giram na órbita desta realidade divina, quando a vemos brotar intensa, tenacíssima do imo do ser, distendendo, bracejando, qual árvore da vida, os impulsos ao infinito, o homem atinge inefáveis grandezas. Sublimado pela graça, fulgiu em Vicente de Paulo aquela encantadora perfeição exigida por Cristo: “sede perfeitos como vosso Pai celestial o é” (Mt 5, 48).. Trajetória emocionante, lançando as fulgurações características do verdadeiro valor. Aventura gloriosa, flamejando raios da genuína grandeza. Foi o varão sábio que fez de sua vida sua vinha. Ostentou a verdadeira nobreza, chancelada não em heráldicos pergaminhos ou advinda de natural ou eventual posição social, mas timbrada nos penetrais da participação da vida do próprio Deus. O luxo não exornou o seu berço, nem se viram em torno dele brasões de ilustres antepassados ou os requintes da fortuna. No entanto, por entre os mais fulvos lampejos da admiração mais acendrada, o mundo todo o exalta. Ele se mostra no pedestal de preexcelsas conquistas próprias dos geniais da história. É que o triunfo se torna a partilha dos grandes homens Embora Vicente de Paulo aborrecesse os louvores humanos, suas ações o guindaram ao plinto da honra. * Professor no Seminário de Mariana – MG

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